Atitudes que não te transformam em um líder de verdade

Atitudes que não te transformam em um líder

Imagine você perdido em uma floresta e seu celular com GPS está com apenas 2% de bateria. Chamadas e mensagem inacessíveis, mas com o que ainda resta de bateria você consegue ter uma direção. Porém, a bateria acaba de vez, e você começa a se desesperar porque já não sabe para onde ir. Que agonia, não é mesmo?

Pois é, mesmo sendo uma situação hipotética, é possível comparar isso a uma empresa sem uma liderança presente. A empresa pode até ter uma direção, um norte, por um período. Mas, após algum tempo, se tornará obscuro enxergar qual caminho trilhar e não será possível que todos trabalhem em prol de um mesmo objetivo.

Liderança pode ser descrita como uma capacidade de comandar pessoas e influenciá-las de modo positivo frente a comportamentos, habilidades, competências e valores. Um indivíduo, ao assumir ou vivenciar um papel de líder, irá se deparar com pessoas que diferem em relação ao modo de pensar e agir.

É a partir disso que a missão de líder começa a se estruturar, pois diante dessas diferenças, deve se ter a habilidade de encontrar objetivos comuns dentro de seu time para que juntos alcançarem um único fim.

Para ser um líder de verdade, são necessárias algumas competências técnicas e comportamentais. Neste artigo, serão abordadas algumas características que podem te impedir de alcançar esse objetivo.

Não ter o hábito ou não saber dar feedbacks

Feedback é uma percepção de uma terceira pessoa, sendo que o objetivo primordial é o de orientar e sinalizar possíveis pontos fortes ou fracos que poderão potencializar o desenvolvimento profissional de alguém.

Deste modo, há dois tipos de feedback, o positivo e o construtivo. Feedback positivo, nada mais é do que a estruturação de um elogio e reconhecimento, a fim de que os comportamentos sejam mantidos. Feedback construtivo é um ato para sinalizar algo que necessita de uma melhoria porém se o processo parar nesta etapa, isso não passa de uma crítica. O que irá diferenciá-lo disso é a proposta e a sugestão das melhorias para modificar o comportamento em questão. Aqui entra também o papel do líder em ajudar a pessoa a se desenvolver, afinal, liderar é ser um agente de desenvolvimento e transformação.

Assim, um líder não deve deixar de dar feedbacks aos seus liderados, porém deve saber fazê-lo da maneira correta e assertiva para valorizar pontos fortes, ou ainda para sinalizar pontos fracos e ajudá-lo no desenvolvimento.

Não delegar tarefas e/ou atividades

Delegar tarefas possui correlação com confiança. Um líder que consegue delegar tarefas e responsabilidades, poderá ter uma visão mais estratégica do negócio como um todo, e assim garantir o desenvolvimento profissional dos seus liderados.

Além disso, delegar está diretamente envolvido com o engajamento de quem irá executá-las. Então é muito importante que o propósito da ação delegada seja explícito, bem como deve haver uma explicação sobre o processo de execução da tarefa. E por fim, deve-se demonstrar qual é o resultado pretendido.

Antes de uma responsabilidade ser repassada é necessário saber se a pessoa que receberá a tarefa saberá desenvolvê-la e se a fará bem. Isso ajudará na qualidade da execução.

Caso haja limites para o desenvolvimento da ação, estas devem ser comunicadas. Ou seja, a pessoa precisa saber até onde poderá ir, para que a atividade seja feita com qualidade e dentro do prazo estipulado.

Um bom líder deve acompanhar todo o processo de execução caso surjam dúvidas, isso contribuirá com que a relação do líder e liderado seja de confiança. Caso seja transmitido algum tipo de desconfiança, podendo gerar um sentimento de insegurança que atrapalhará no processo de trabalho e consequentemente nos resultados das atividades desempenhadas

Não preparar pessoas para estarem em seu lugar

“Ninguém é insubstituível”, essa é a premissa que todo líder deve carregar consigo. Deste modo, se o líder não souber confiar responsabilidades será impossível que os liderados desenvolvam novas habilidades e competências, assim o conhecimento para a execução de determinadas tarefas ficará apenas com o líder.

O líder deve se manter preparado e disponível para ensinar, sendo fundamental conseguir descentralizar suas responsabilidades quando necessário. E então, será possível desenvolver pessoas e torná-las aptas para assumirem o seu lugar, se necessário.

Além disso, investir no desenvolvimento de pessoas ajuda com que o líder tenha foco na estratégia do negócio e, não somente no desenvolvimento de atividades.

Não dar espaço para ouvir

A escuta ativa é o primeiro passo para que a comunicação seja eficaz, pois ao escutar demonstra-se interesse e respeito pelo outro e por aquilo que está sendo falado. Então, essa habilidade permite quem está desenvolvendo a conversa se sinta valorizado e esteja mais apto para ser flexível e pronto para mudanças.

Ou seja, um líder que não sabe praticar a escuta ativa não consegue promover com seus liderados um relacionamento interpessoal agradável nem mesmo conseguirá se colocar no lugar do outro. Assim, torna-se inviável se estabelecer uma relação de confiança e segurança com seu time.

Nesse artigo abordamos algumas competências técnicas e comportamentais, com a aplicabilidade destas, será possível ser um líder de fato. Acima disso será um líder que possui uma comunicação transparente, mediada por feedbacks e escuta ativa. Conseguindo ainda ter uma visão estratégica mais ampla sobre o seu negócio após delegar tarefas e desenvolvendo e capacitando profissionalmente sua equipe.



Autor: Ellen Moura
Psicóloga, especialista em Gestão de Recursos Humanos,  interessadíssima em assuntos relacionados ao desenvolvimento do comportamento humano.  Ama o que faz, porque está envolvida o tempo todo com pessoas, e principalmente preocupada em desenvolvê-las, pois é nisso que acredita.  Responsável pelo setor de Gestão de Pessoas da GGV, e que nas horas de inspiração gosta de escrever para compartilhar o conhecimento que possui.

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